7.8.07

PORTAIS


PORTAIS DE CIFRAS DE MÚSICAS:

http://cifraclub.terra.com.br/

http://www.mvhp.com.br/

http://www.portalmidis.com.br/

http://www.cifras.com.br/

PORTAIS DE LETRAS DE MÚSICAS:

http://www.webletras.com.br/

http://www.letrasdasmusicas.net/

http://www.portalmidis.com.br/

http://vagalume.uol.com.br/

PORTAL DA MÚSICA BRASILEIRA:

http://brazilianmusic.com/indexp.html

PORTAL DOS MUSICAIS:

http://groups.msn.com/portaldosmusicais/

PORTAL DA OTORRINOLARINGOLOGIA:

http://www.otorrinolaringologia.com.br/

PORTAL DA FONOAUDIOLOGIA:

http://www.fonoaudiologia.com/

DE OLHO

FIQUE DE OLHO! WORKSHOP COM PATRÍCIA EVANS!



A técnica de atuar é fundamental para quem deseja ser um ator sério. É muito fácil imitar um personagem ou mesmo uma emoção, mas onde está a profundidade nisso? Como você pode manter ou repetir o que você pode ter encontrado intuitivamente? Você sabe mesmo o que você fez ou como você fez isso? 

Um script/texto é apenas o esqueleto do objetivo: apenas as linhas que o personagem vai dizer e as linhas que os outros vão dizer em resposta. A partir desse esqueleto, o ator cria um retrato sutil de quem irá interpretar. É a técnica que vai ajudá-lo a trazer o texto / script / palavra escrita para o diálogo vivo de forma convincente. 

Como você sabe que escolhas fazer? 

O objetivo de um ator é tornar-se um personagem tridimensional plenamente realizado, com uma história de fundo rico. Deve-se acreditar que o personagem que você interpreta é verdadeiro e não um clichê, uma caricatura, uma representação externa superficial de alguém que mal se assemelha a um ser humano. Deve-se acreditar que o que você diz é real e que você não está recitando, narrando ou comentando.   

Neste workshop pretendo dar a conhecer a todos os interessados as técnicas de construção de personagens teatrais que considero primordiais para a aproximação do mesmo com o real.

A técnica que utilizarei é baseada em Stanislavski e suas sete questões que, ao longo dos anos, adaptei para 10 perguntas-chave de atuação, que cada ator deve responder, somadas ao que chamo de habilidades psicológicas. Há, três habilidades psicológicas, especificamente, que eu acredito que ajudam um ator a criar a sua caracterização de modo a tornar seu personagem real: teoria da mente, empatia e emoção regulada. Claro, outras habilidades, como a memorização, o comportamento físico, imaginação e prestar atenção aos outros são importantes, mas a teoria da mente, empatia e regulação da emoção são as habilidades críticas.

Para ajudar você a entender, eu vou colocar para fora a espinha dorsal do que é a construção de um personagem, em um workshop intensivo de prática, no intuito de fazer crível o personagem a ser interpretado. Cada aluno receberá um personagem escolhido aleatoriamente e juntos, aplicando o método acima mencionado, faremos da palavra escrita um ser humano complexo, denso e real.

Quer participar dessa experiência? 

Local, data, horário, preço e maiores informações: Patricia@eapevans.org


SOBRE PATRÍCIA EVANS
A PROFESSORA

Patrícia Evans dá aulas particulares de Canto Popular e Erudito, lecionou na Escola de Música Cenário, Centro Musical Antônio Adolfo e Guitar Club. Atualmente dá aulas no EAPE (Espaço de Artes Patrícia Evans), Av. Princesa Isabel 323 sl 1212, Copacabana, Rio de Janeiro - www.eapevans.org - Ministrou diversas Oficinas e Workshops de Consciência Vocal e Interpretação para Palco e Vídeo e foi convidada a palestrar em outros inúmeros cursos, tendo sido o último no Planetário da Gávea, sobre temas diversos do universo musical e literário.
Patrícia Evans iniciou sua carreira artística aos 13 anos, aos 16 prestou exame para a OMB e obteve seu registro profissional como cantora. Apesar de sua formação ser fundamentalmente musical, além de cantora, possui larga experiência como atriz também com registro profissional; trabalhou em mais de 42 montagens teatrais, 28 das quais como protagonista, 6 como antagonista. Dividiu o palco com nomes consagrados no cenário artístico brasileiro como Débora Duarte, Ana Rosa, Mauro Mendonça, Rosanne Gofman, Bete Mendes, Claudio Cavalcanti, Suely Franco, Ricardo Graça Mello, Benvindo Sequeira, Lucio Mauro Filho, Fernanda Nobre, Luis Mangnelli, Tânia Loureiro e tantos outros. Embora sua carreira como atriz tenha sido norteada pelo teatro, Patrícia trabalhou em televisão, foi integrante do elenco fixo de "Chico Total" na TV Globo e apresentou o programa de variedades "Pulsação" na CNT. Além de sua carreira solo como cantora apresentando-se por quase todo o país e também em NY, foi vocalista do grupo "Ária" convidada por Robertinho de Recife e nos "anos 90" emplacou sucessos nacionais com o grupo musical "Grafite".A POETISA (www.sanidaderelativa.blogspot.com)

Além de sua carreira musicoteatral, como escritora, Patrícia Evans é vencedora de 6 concursos internacionais de poesia, tem seu nome incluído no projeto "Brasil 500 anos" de Leila Micollis, junto ao MINC, que reúne os 400 poetas mais representativos da língua portuguesa dos últimos 500 anos, selecionada e convidada pela própria autora do projeto. Patrícia esteve entre as dez poetisas mais lidas de 2003, ao lado de Adélia Prado e Hilda Hilst, está em inúmeras antologias, foi publicada em diversos sites e revistas e teve seu trabalho recentemente exaltado em crítica de Robert E. Sheridan, editor do "New York Times" por 32 anos, onde dentre outras coisas, diz Sheridan reconhecer o trabalho de Patrícia como "um dos mais poderosos" que ja leu.

GRADUAÇÃO

Patrícia estudou Canto Erudito com Déa Escobar / Theatro Municipal e Wallace Viana. Estudou violão e piano, é graduada pelas Escolas de Música Villa Lobos e Calouste Gulbenkian. Possui vários cursos de extensão nesta área, assim como em dança e sapateado. Cursou arquitetura na Universidade Federal Fluminense e se formou em inglês no Instituto Brasil Estados Unidos - IBEU - com certificado da Universidade de Michigan.








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NÃO DEIXE DE VER OS VÍDEOS DOS MUSICAIS E DOS "BONS DE BOCA" POSTADOS ACIMA, À DIREITA DESTE BLOG E NOS LINKS ABAIXO:
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OUTROS VÍDEOS MAIS QUE INTERESSANTES:
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PORQUE, PRA QUE, COMO ACONTECE A RESPIRAÇÃO
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.CLAY AIKEN EM AMERICAN IDOLS
(PARA MIM, O MELHOR CONCORRENTE DE TODOS OS AMERICAN IDOLS - POR TUDO; VOZ, PRESENÇA, POSTURA, INTERPRETAÇÃO)http://www.youtube.com/watch?v=qgrvDSwH7Oo
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.BIANCA RYAN - UM MILHÃO DE DÓLARES AOS 11 ANOS, CANTANDO
(FORA DO COMUM - IMPERDÍVEL)http://www.youtube.com/watch?v=ozDh4NQveJs
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QUEM CANTA... DESABAFA (MAIORES DE 18)
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AMY WHINEHOUSE - REHAB - DE VOLTA AO SOUL - GROOVY! - 5 GRAMMYS
(APESAR DE TER TIDO O VISTO NEGADO PARA OS EUA, AMY CONQUISTOU EM 2008, GRAMMYS)
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A FORÇA DA INTERPRETAÇÃO - ELIS REGINA - SE EU QUISER FALAR COM DEUS - CAPELA
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O EXAGERO DA INTERPRETAÇÃO - OS FANFARRÕES
(Às vezes, ao cantarmos, cometemos erros de interpretação, como reproduzir a letra com gestual semelhante à linguagem surdo-mudo. Aqui uma divertida aula sobre O QUE NÃO FAZER ao cantar!)
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O INESPERADO - Christina Aguilera & Tony Bennett
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.A MÁQUINA DE MÚSICA - (MUSIC MACHINE)http://www.youtube.com/watch?v=MlVRdAU2-R0
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SUMMERTIME - ALGUMAS VERSÕES INESQUECÍVEIS
(A MÚSICA SUMMERTIME, QUE FOI GRAVADA POR QUASE TODOS OS GRANDES INTÉRPRETES É UMA ÁRIA DA ÓPERA PORGY AND BESS - ABAIXO ALGUMAS VERSÕES ERUDITAS E POPULARES DA MÚSICA. NÃO DEIXE DE VER TAMBÉM MAIS DETALHES SOBRE A ÓPERA NO TÓPICO "ÓPERAS E MUSICAIS")
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SUMMERTIME - CENA DE PORGY AND BESS
A soprano desta cena é Anne Wiggins Brown. Ela é a "Bess" original.
outra cena
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SUMMERTIME COM ANIYIA WILLIANS
(PERFEITO PARA PRESTAR ATENÇÃO NA RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA)
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SUMMERTIME COM ELLA FITZGERALD
(ESPETACULAR - COMO SEMPRE)
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SUMMERTIME COM ELLA FITZGERALD E LOUIS ARMSTRONG
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SUMMERTIME COM LEONTYNE PRICE
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SUMMERTIME - JANIS JOPLIN
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SUMMERTIME JANIS JOPLIN E JIMI HENDRIX
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O SHOW EM HOMENAGEM A GEORGE HARRISON
(Concert for George -, em Londres, reuniu figuras do quilate de Billy Preston, Eric Clapton, Ringo Starr, Paul McCartney e Dhani Harrison, este filho de George ao lado de Eric Clapton (impossível de não ser distinguido, pois é a cara do pai). Eles tocam e cantam "My Sweet Lord". É emocionante lembrar da doce figura de George, que era considerado o virtuose dos Beatles.)
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DRESDEN DOLLS
(The Dresden Dolls é uma banda estadunidense formada em Boston em meados dos anos 2000 por Amanda Palmer (vocal e piano) e Brian Viglione (bateria, guitarra e vocal). Descrevem seu estilo como cabaré punk brechtiano, e expuseram o movimento artístico Cabaré Dark, que começou a ganhar forma na década de 1990 com artistas como Salon Betty e Gavin Friday.A banda foi formada logo após Brian Viglione testemunhar uma apresentação de Amanda Palmer em uma festa de Halloween. Suas apresentações dramáticas, no qual os membros maquilavam-se e vestiam vestimentas de cabaré logo ganhou fãs. )
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CUIDADOS COM A VOZ


DA ROUQUIDÃO, CANSAÇO ETC.

ATENÇÃO: Rouquidão provocada por gripe ou resfriado pode ser tratada por um Médico clínico geral ou Pediatra. No entanto, se ela durar mais de 2 semanas ou se não tiver uma causa evidente, deverá ser avaliada por um especialista em voz: o Médico otorrinolaringologista (especialista em nariz, ouvidos e garganta).

A voz bem definida (tom apropriado, entonação e ritmo corretos) pode ser usada durante jornadas de trabalho de até 8 horas diárias. No entanto, deve-se lembrar que o cansaço físico acarreta cansaço vocal, assim como a saúde geral do indivíduo deve ser levada em conta.

O que deve acontecer é procurar por um especialista, seja médico, fonoaudidlogo, professor de canto, e não sair por aí fazendo as receitinhas caseiras aleatoriamente, pois além de não trazer benefícios, podem, algumas vezes, constituir riscos em potencial.

É comum se confundir faringe e laringe ao se pensar nesses preparados e receitas. É importante se ter em mente que nenhum desses xaropes, chás e gargarejos chegam até as cordas vocais. Basta conhecer a anatomia para verificar este fato:

À menor gota ou farelo tocar as cordas vocais, desencadeia-se um processo muito desagradável de tosse, desespero, falta de ar.

Alguns especialistas acreditam que não se deve fazer o gargarejo com o objetivo de medicar as cordas vocais, uma vez que o líquido não chega efetivamente até elas.

Alguns métodos caseiros podem ser até úteis, porém durante períodos limitados, apenas mascarando os sintomas verdadeiros sem eliminar a causa do problema, que pode ser uma vocalização incorreta ou uso abusivo da voz, ou até problemas como faringite.

O QUE É BOM

Beber 7 a 8 copos de água por dia
Procurar atendimento especializado se usar a voz na profissão
Pastilhas, sprays ou medicamentos, só indicados por Médicos
Evitar automedicação e soluções caseiras (gengibre, romã, etc.)
Repouso da voz, após cada "apresentação" pública
Usar roupas leves e evitar refrigerantes, gorduras e condimentos
Realizar exercícios regulares de relaxamento, avaliações auditivas e fonoaudiológicas periódicas
Manter a melhor postura da cabeça e do corpo durante a aula, a fala ou o canto.

Na realidade, os conselhos sobre higiene geral não são diferentes dos cuidados que se deve ter com o corpo . Uma voz bonita requer um corpo saudável. Tudo o que se fizer pelo corpo,terá efeitos sobre a voz.

• Recomendamos ao cantor que evite principalmente o frio com suas mudanças de temperatura.

•Todas as manhãs se deve praticar a ginástica respiratória. As inspirações e expirações deverão ser pelo nariz, de maneira ampla, lenta, profunda e abdominal.

• Ginástica respiratória

• Banhos frios matinais

• Exercícios tais como: Caminhada, corrida, bicicleta ou qualquer outro aeróbico.

• Comida – Bom senso. Comer pouco, lentamente e mastigando bem. Existe uma importante relação entre o aparelho vocal e os órgãos digestivos .

• Evitar falar ou cantar em ambiente ruidoso. Não competir com barulhos externos

• Evitar falar ou cantar quando estiver resfriado ou rouco.

• Alcóol, e fumo - proibidos. Gelados, quando não estiver utilizando a voz.

• Sono – 8 horas é o recomendável para uma voz descansada.

• Voz cansada ou rouquidão - repouso vocal absoluto.

• As bebidas alcoólicas congestionam a mucosa laríngea e promovem uma diminuição da energia muscular da mesma.

• O café provoca taquicardia e poderá colocar o cantor nervoso, pode também interferir no rítmo dos movimentos respiratórios

• Repertório de canto - O adequado para seu tipo de voz . Nada pior para o aparelho vocal do que tessituras não adequadas a seu timbre.

Os estudos de canto duram muitos anos. A impostação da voz se faz com o tempo. Não há mágica. É preciso paciência, Os cantores da época do "bel canto”, vocalizavam durante nove anos. Hoje em dia a técnica vocal se aprimorou e atualizou muito , mas enquanto se canta se deverá fazer uso de vocalizes e técnica vocal diariamente. Não existe voz sem vocalize.

Para finalizar, é necessário cuidar do estado geral do indivíduo. Qualquer alteração em qualquer órgão repercute sobre a pureza da voz.

O estudo do canto não deve nunca chegar a fatigar a voz. Nunca se exercitar ou cantar até o esgotamento da garganta, Se isto ocorre, é por que algo não vai bem. Deve-se logo procurar a causa pois o cansaço vocal é o primeiro aviso da ruína da voz. Para se conservar a voz, deve-se desenvolver uma técnica vocal correta, respiração adequada e vocalizes com profissional qualificado


O QUE É MAU

Fumo, álcool, drogas e poluição
Tossir, gritar muito ou pigarrear
Cantar ou gritar quando gripado
Falar em locais barulhentos (Olha o professor aí, gente...)
Mudanças bruscas de temperatura
Ambientes com muita poeira, mofo, cheiros fortes, especialmente se você for alérgico.

LINKS:
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/voz.htm

ÓPERAS E MUSICAIS

TOMMY - THE WHO
Tommy (1969) é uma das duas óperas rock em larga escala do The Who, o primeiro trabalho musical explicitamente chamado desta maneira. A ópera foi composta pelo guitarrista do Who Pete Townshend, com dua faixas do baixista John Entwistle e uma creditada ao baterista Keith Moon, na verdade composta por Townshend. Uma canção antiga de blues do músico Sonny Boy Williamson também foi incorporada à obra. Em 2003 o canal de TV VH1 nomeou Tommy o 90# “Melhor Álbum de Todos os Tempos”.


Tommy é a biografia fictícia de Tommy Walker. O pai de Tommy foi considerado perdido em batalha durante a Primeira Guerra Mundial, mas retorna inesperadamente em 1921 e mata o amante de sua esposa enquanto Tommy, então com sete anos de idade, presencia tudo através de um espelho. Seus pais o forçam a acreditar que ele não viu, ouviu e não irá falar nada a ninguém, e Tommy se torna surdo, cego e mudo como consequência. Ele tem uma visão de um estranho vestido de dourado, com uma longa barba, provavelmente uma figura paternal, e a visão o leva a uma jornada espiritual. Durante o resto de sua infância ele sofre abusos por parte de vários familiares, interpretando suas sensações físicas como música. Adulto, ele encontra uma máquina de pinball, logo tornando-se mestre no jogo, com um séquito de fãs. Tommy finalmente é curado quando um médico o coloca na frente de um espelho e sua mãe, melindrada por perceber que ele enxerga o próprio reflexo, estilhaça o objeto. Posteriormente Tommy assume o manto de Messias e tenta levar seus seguidores à “luz”, como aconteceu com ele, mas a mão pesada de seu culto e a exploração por parte de seus parentes provoca uma revolta contra ele. A história termina ambigüamente, com o refrão Listening To You de “Go To The Mirror”, sugerindo que Tommy fechou-se novamente ao mundo depois da rebelião, voltando às suas fantasias.
Na sua versão original lançada no álbum, a história não passa de um esboço, com detalhes frequentemente preenchidos por Townshend em entrevistas. Quando outras adaptações do álbum começaram a surgir, alguns detalhes eram acrescentados e outros alterados (por exemplo o avanço para a época da
Segunda Guerra Mundial e 1951 em versões posteriores e na do filme, com o amante matando o pai ao invés do oposto).

Musicalmente o álbum original é uma série complexa de arranjos pop-rock, geralmente baseados no violão de Townshend e construído com inúmeras adições pelos quatro integrantes da banda usando vários instrumentos, como baixo, guitarra, piano, órgão, bateria, gongo, trompete, harmonias e solos vocais. Apesar de sua riqueza instrumental, o som tende a ser bastante “duro”, especialmente se comparado aos trabalhos anteriores do grupo. Muitos dos instrumentos só aparecem de vez em quando – a instrumental de dez minutos “Underture” apresenta só um pequeno trecho de trompete – e quando regravados por cima dos outros muitos instrumentos foram mixados em níveis mais baixos, que requerem uma atenção cuidadosa para se perceber. Townshend mistura sua técnica no violão com seus acordes poderosos e cheios na guitarra, em momentos mais delicados soando quase como uma harpa. A bateria de Moon é controlada, com alguns momentos dramáticos; o baixo de Entwistle providencia suporte e efetivamente toma a liderança dos instrumentos vários vezes. Daltrey jacta-se no papel de vocalista principal, mas divide a função com os outros em um número surpreendente de faixas. O interesse posterior de Townshend pelo sintetizador pode ser antecipado aqui pelo seu uso de fitas tocadas ao contrário para criar efeitos sonoros em “Amazing Journey”.
As faixas “Pinball Wizard”, “I’m Free” e “See Me Feel Me/Listening To You” foram lançadas como compactos, ganhando um espaço considerável nas rádios. “Pinball Wizard” alcançou o Top 20 nos E.U.A e o Top 5 no Reino Unido. Em
1998, "Tommy" seria incluído no Hall da Fama do Grammy.
O tema do abuso infantil, que aparece tão proeminentemente durante a história, causou bastante polêmica quando o álbum foi lançado. Embora haja afirmações de que a idéia tenha sido tirada do álbum conceitual "S.F. Sorrow", lançado pelo
The Pretty Things em 1968, diversos precedentes de "Tommy" já podiam ser encontrados no próprio trabalho de Townshend, como em “Glow Girl” (1968), “Rael” (1967) e “A Quick One While He’s Away” (1966).
Um ano antes do álbum ser lançado Pete Townshend explicou suas idéias e aparentemente criou algumas sobre a estrutura da ópera durante uma famosa entrevista para a revista
Rolling Stone. John Entwistle diria tempos depois que na verdade nunca parou para ouvir o disco, tão enjoado ficou do trabalho depois de intermináveis gravações e regravações das músicas.

Tommy foi lançado originalmente como um LP duplo, com um encarte com as letras das músicas e ilustrações e uma espécie de capa tripla que se desdobrava. Todos os três painéis foram tirados de uma única pintura Pop Art feita por Mike McInnerney. O desenho é uma esfera com buracos no formato de losango, com um fundo formado por nuvens e gaivotas voando. No outro lado uma mão estrelada parece rasgar o papel enquanto aponta com o dedo. Os executivos da gravadora insistiram para que uma foto da banda fosse incluída na capa, então algumas pequenas imagens, quase irreconhecíveis, dos quatro integrantes foram colocadas nos buracos da esfera. O CD remasterizado lançado recentemente traz a arte original de McInnerney, sem os rostos do The Who. As ilustrações internas consistem de algumas fotos de malabaristas/mágicos e algumas pinturas simples que meramente ilustram a história.
A
MCA Records relançou o álbum como um CD duplo em 1984, com cópias em miniatura da arte original e a capa tripla reduzida para dois painéis. A versão remasterizada só sairia em 1996, em CD simples, com o encarte completo trazendo ainda uma introdução escrita por Richard Barnes.


"Tommy" ressurgiria posteriormente através de outras mídias. Em 1972 a Orquestra Sinfônica de Londres lançou sua versão do álbum, com o papel de cada personagem cantado por integrantes do Who e outros astros pop da época, como Steve Winwood, Rod Stewart e Ringo Starr. Pete Townshend também toca um pouco de guitarra, mas no geral a música é inteiramente orquestral.
Em
1975 o cineasta Ken Russel lançou sua versão, no mínimo corajosa, da história de Tommy. Trazia o The Who e um elenco eclético, que incluía entre outros Elton John, Tina Turner,Oliver Reed e Jack Nicholson; o filme ganhou um status de “cult” por suas cenas retratando o músico Arthur Brown como um pastor no culto de Tommy, a atriz Ann-Margret afundando em uma sala cheia de feijão e a brilhante sátira à música pop apresentada na sequência de “Sally Simpson”.
Em
1993 Townshend e o diretor Des MacAnuff escreveram e produziram uma versão em musical da Broadway de "Tommy". Apresentando várias músicas inéditas de Townshend e um elenco estelar, a produção ganhou um Tony Award no mesmo ano, e várias edições posteriores inspiradas neste musical alcançaram grande sucesso de público.

Notas
O álbum "Snow", lançado em
2002 pela banda Spock’s Beard, traz uma história e temas bastante similares à "Tommy".
Em
abril de 2004 a revista Uncut produziu uma coletânea chamada "The Roots Of Tommy" ("As Raízes de Tommy"), apresentando as diversas canções que inspiraram o álbum.
O
Hall da Fama do Rock and Roll exibe durante 2005 e 2006 uma exposição sobre o álbum chamada “TOMMY: The Amazing Journey”.
A versão original de Tommy foi dedicada a
Meher Baba.

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A NOVIÇA REBELDE (THE SOUND OF MUSIC)

No final da década de 1930, quando o nazismo estava prestes a se instaurar na Áustria e se estava a preparar o Anschluss, a noviça Maria que vive num convento de Salzburgo mas não consegue seguir as rígidas normas de conduta das religiosas, vai trabalhar como governanta na casa do capitão Von Trapp, que tem sete filhos, é viúvo e os educa com rigor militar. A chegada da noviça modifica drásticamente a vida da família von Trapp, ao trazer alegria e conquistar o carinho e o respeito das crianças. Mas ela termina se apaixonando pelo capitão, que está comprometido com uma rica baronesa de Viena.

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ELENCO

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Julie Andrews .... Maria
Christopher Plummer .... capitão Georg von Trapp
Richard Haydn .... Max Detweiler
Peggy Wood .... madre abadessa
Anna Lee .... irmã Margaretta
Portia Nelson .... irmã Berthe
Ben Wright .... Herr Zeller
Daniel Truhitte .... Rolfe
Norma Varden .... Frau Schmidt
Marni Nixon .... irmã Sophia
Gilchrist Stuart .... Franz
Evadne Baker .... irmã Bernice
Doris Lloyd .... Baronesa Eberfeld
Charmian Carr .... Liesl von Trapp
Nicholas Hammond .... Friedrich von Trapp
Heather Menzies .... Louisa von Trapp
Duane Chase .... Kurt von Trapp
Angela Cartwright .... Brigitta von Trapp
Debbie Turner .... Marta von Trapp
Kym Karath .... Gretl von Trapp
Eleanor Parker .... Baronesa Elsa Schraeder

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Principais prêmios e indicações

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Oscar 1966 (EUA)
Vencedor nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.
Indicado também nas categorias de Melhor Atriz (Julie Andrews), Melhor Atriz Coadjuvante (Peggy Wood), Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.
Globo de Ouro 1966 (EUA)
Vencedor nas categorias de Melhor Filme - Comédia / Musical e Melhor Atriz em Comédia / Musical (Julie Andrews).
Indicado nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante (Peggy Wood).
Prêmio Eddie 1966 (EUA)
Vencedor na categoria de Melhor Montagem.
BAFTA 1966 (Reino Unido)
Indicado na categoria de Melhor Atriz Britânica (Julie Andrews).

Curiosidades

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A noviça rebelde seria inicialmente dirigido por
William Wyler, que terminou sendo descartado por ter uma visão diferente da dos produtores para o filme.
O diretor Robert Wise chegou a cogitar o nome de
Yul Brynner para interpretar o capitão Von Trapp.
O primeiro número musical de A Noviça rebelde, "The Sound of Music", foi exatamente o último a ser rodado pelo elenco enquanto estava na
Europa. As filmagens desta cena ocorreram em junho e julho de 1964.
A frente e os fundos da fazenda do capitão Von Trapp foram filmadas em dois locais diferentes em
Salzburg, na Áustria.
Muita gente acredita que a famosa música do filme "Edelweiss" seria uma tradicional canção austríaca; na verdade a canção foi escrita para o musical e é muito pouco conhecida na Áustria.
A canção Wind It Up, da cantora
Gwen Stefani, é um remix de um dos musicais de "A Noviça Rebelde", e seu videoclipe é inspirado no filme, que a cantora considera seu favorito.




PORGY AND BESS
A ópera “Porgy and Bess” foi escrita em 1934 com co-autoria de Ira Gershwin, baseada no conto “Porgy”, de DuBose Heyward, também seu libretista. Ela estreou em 1935 em Nova Iorque, e conta a história do aleijado Porgy que faz de tudo para conseguir ficar com sua amada Bess. Ela, apesar de também querer ficar ao seu lado, precisa se desvencilhar de seu amante opressor, Crown, e dos cortejos do traficante Sportin’ Life. Todos os personagens são negros, com exceção de quatro papéis interpretados por brancos que não são cantados, apenas falados.

Essa obra foi considerada racista por muitos artistas e lideranças afro-americanos, por ter firmado estereótipos, como o de que para os negros era normal usar drogas e resolver seus problemas através de brigas. Mas também é preciso levar em conta a época em que ela foi escrita – quando os negros nem podiam se sentar perto dos brancos nos ônibus norte-americanos – além do aparente fascínio que Gershwin tinha por aquela realidade “exótica” e romantizada – pelo menos para ele. De qualquer maneira, atualmente essa obra é mais bem aceita, e é inegável que ela alavancou a carreira de muitos cantores negros nos EUA.




SINGIN' IN THE RAIN
Singin' in the Rain (Cantando na Chuva no Brasil) é um filme americano estrelado por Gene Kelly. O filme, e especialmente a sequência de Kelly cantando (e dançando) na chuva, são amplamente conhecidos. Singin' in the Rain foi homenageado, por exemplo, por Stanley Kubrick em A Clockwork Orange (Laranja Mecânica no Brasil).

Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são dois dos astros mais famosos da época do cinema mudo em Hollywood. Seus filmes são um verdadeiro sucesso de público e as revistas inclusive apostam num relacionamento mais íntimo entre os dois, o que não existe na realidade. Mas uma novidade no mundo do cinema chega para mudar totalmente a situação de ambos no mundo da fama: o cinema falado, que logo se torna a nova moda entre os espectadores. Decidido a produzir um filme falado com o casal mais famoso do momento, Don e Lina precisam entretanto superar as dificuldades do novo método de se fazer cinema, para conseguir manter a fama conquistada.

Direção Stanley Donen
Gene Kelly
Elenco Gene Kelly
Donald O'Connor
Debbie Reynolds
Jean Hagen
Roteiro/Guião Betty Comden
Adolph Green

Na cena em que Gene Kelly dança na chuva, na verdade é utilizada uma mistura de água com leite.
Antes da gravação desta cena, Kelly estava ardendo em febre, mas resolveu ir adiante depois de fazer uma sessão de acupuntura (o que teria supostamente resolvido o problema).




WEST SIDE STORY


À semelhança do que acontece na peça Romeu e Julieta de Shakespeare, o filme apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por María, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

ELENCO
Natalie Wood .... María
Richard Beymer (Tony
Russ Tamblyn .... Riff
Rita Moreno .... Anita
George Chakiris .... Bernardo
Simon Oakland .... tenente Schrank
Ned Glass .... médico
William Bramley .... oficial Krupke
Tucker Smith .... Ice
Tony Mordente .... Action
David Winters .... A-Rab
Eliot Feld .... Baby John
Carole D'Andrea .... Velma
Jay Norman .... Pepe
Tommy Abbott .... Gee-Tar

O filme foi adaptado por Ernest Lehman de uma bem-sucedida peça da Broadway, estreada em 1957, da autoria de Arthur Laurents e encenada por Jerome Robbins, que foi também o autor da ideia.
Tanto a peça teatral, assim como o filme, são uma adaptação livre, ambientada na década de 1950, de Romeu e Julieta, de William Shakespeare.
O título original faz referência ao cenário no qual a história se desenvolve: as brigas entre gangues de rua na Zona Oeste (o West side) de Manhattan, em Nova Iorque.
A versão cinematográfica da peça teatral foi dirigida por Jerome Robbins (também seu coreógrafo), co-dirigida e produzida por Robert Wise e roteirizada por Ernest Lehman, sendo bem recebida pela crítica e pelo público em geral. Recentemente foi restaurada e lançada em DVD.
Durante as filmagens, os produtores procuravam criar uma certa antipatia entre os atores que representavam as gangues rivais, dando ao elenco dos Jets roteiros limpos e organizados e camarins perto das locações, enquanto o elenco dos Sharks ganhava roteiros bagunçados e rasgados e camarins afastados.
Os direitos de adaptação custaram 375 mil dólares aos produtores e o orçamento de Amor, Sublime Amor foi de seis milhões de dólares.
Quase todos os atores do elenco que atuou na peça teatral da Broadway foram recusados pelos produtores por serem velhos demais para um filme em que os personagens são adolescentes, de forma que apenas seis deles foram escalados: Carole d'Andrea, Tony Mordente, William Bramely, Jay Norman, David Winters e Tommy Abbott.
Originalmente os produtores queriam que Elvis Presley interpretasse Tony e Audrey Hepburn María, mas ela teve que desistir da personagem por estar grávida na época das filmagens.

PRÊMIOS E INDICAÇÕES

Oscar 1962 (EUA)
Venceu dez prêmios, nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (George Chakiris), Melhor Atriz Coadjuvante (Rita Moreno), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia - Colorida, Melhor Figurino - Colorido, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.
Indicado também na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

Globo de Ouro 1962 (EUA)
Venceu nas categorias de Melhor Filme - Musical, Melhor Ator Coadjuvante (George Chakiris) e Melhor Atriz Coadjuvante (Rita Moreno).

Grammy 1962 (EUA)
Venceu na categoria de Melhor Álbum de Trilha Sonora de Cinema ou Televisão.

BAFTA 1963 (Reino Unido)
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

MIL E UMA RAZÕES PARA CANTAR

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LETRAS E POEMAS SOBRE O CANTAR
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MOTIVO
(Cecília Meireles)


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

.

QUANDO EU ESTIVER CANTANDO
(Cazuza/João Rebouças)


Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim

Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Ah, de besta

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Porque eu só canto só
E o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação

Porque o meu canto redime o meu lado mau
Porque o meu canto é pra quem me ama
Me ama, me ama

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio

Porque o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação
Porque o meu canto é o que me mantém vivo
E o que me mantém vivo.

SANGRANDO
(
Gonzaguinha)


Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é minha força pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de dizer o que é amar
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é minha força pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de dizer o que é amar

.
SING, SING A SONG
(Carpenters)


Sing, sing a song

Sing out loud
Sing out strong
Sing of good things not bad
Sing of happy not sad

(*) sing, sing a song

Make it simple to last
Your whole life long
Dont worry that its not
Good enough for anyone
Else to hear
Just sing, sing a song

La la la la la
La la la la la la...

Sing, sing a song
Let the world sing along
Sing of love there could be
Sing for you and for me

NOS BAILES DA VIDA
(Milton Nascimento)


Foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir, foi assim
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão, era sim
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se foi assim, assim será
Cantando me disfarço
e não me canso de viver nem de cantar

MINHA JUVENTUDE
(Armandinho)


na na na na na na...

Eu sou desafinado, sim senhor,
mas não tem problema, pois eu toco por amor
Não tenho namorada, ainda não,
por isso todo dia nasce um pelo na minha mão
Cantando no banheiro eu sou feliz,
só saio lá de dentro com uma espinha no nariz
A mãe bate na porta, Antônio Armando,
que que você fez
que a empregada tá chorando ?

Pai! na minha idade você tambem era assim,
a minha tia caguetô você pra mim,
então relaxa que teu filho tá normal

Eu sou disafinado, sim senhor,
mas não tem problema, pois eu toco por amor

na na na nanana...

FLY ME TO THE MOON
(Bart Howard)


Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me
Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you

.

CANTA, CANTA, MINHA GENTE
(Música e letra: Martinho da Vila)


Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar

Cantem o samba de roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba de breque
O samba moderno e o samba quadrado
Cantem ciranda e frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cantem essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado

Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar

Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento ou um partido alto
Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá pra cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado

Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar

.
EU CANTO ERRADO
(Ana Carolina)


Quando fico triste, toco o violão
Mas não é por causa dele que eu to triste não
Eu só toco pra por no lugar
A tristeza que tenta ficar
Eu canto errado do meu coracao

Eu canto errado, eu canto bem
Errado pra fazer sorrir quem gosta dos meus erros
Eu quero bem

Quando tô contente, todo meu pandeiro
Mas não é por causa dele que eu rio
O dia inteiro
Eu só toco pra por no lugar
A alegria que teima ficar
Eu canto errado da minha canção

Eu canto errado, eu canto bem
Errado pra fazer sorrir quem gosta dos meus erros
Eu quero bem

.

CORAÇÃO DE PEDRA
LEO SHANTY – BIANCA CARDOSO


Seu coração é uma pedra, eu sei
Nele também não há ninguém
Se existe amor nesse lugar
Diz que não quis me magoar
Que se arrepende do que fez

Seu coração é um iceberg, eu sei
Nem sei porque me apaixonei
Se existe amor nesse lugar
Faça o tempo então voltar
Só te perdôo dessa vez

Toda essa dor de mim não sai
Não vê que eu te quero bem
Se existe amor, se existe amor aí
Me mostra que eu não sei

Você age sempre sem pensar
Nem sentimentos você tem
Se existe amor, se existe amor aí
Me mostra que eu não sei
.

6.8.07

ARTIGOS MAIS QUE INTERESSANTES

Os timbres vocais segundo Manuel P. R. Garcia

CANTO – BARROCO – TÉCNICA VOCAL – MANUEL GARCIA – TIMBRES VOCAIS - FISIOLOGIA
Alberto José Vieira Pacheco

Resumo:
Nesta comunicação, pretendemos descrever brevemente as características fisiológicas e estéticas dos timbres vocais definidos por Manuel P. R. Garcia em seu “Traité complet sur l’art du chant”, escrito em 1847. Escrevendo seu tratado em um período privilegiado da história do canto, Garcia denuncia a revolução vocal causada pela voix sombrèe. Veremos que sua descrição minuciosa dos timbres vocais nos revela diferenças consideráveis entre a sonoridade vocal do século XVIII e a do século XIX. Mostra ainda o que é preciso fazer para se produzir cada um dos timbres. Nesta medida, seu tratado se mostra uma valiosa fonte de informação, não somente para os intérpretes de música vocal romântica, mas também para aqueles envolvidos na execução historicamente informada da música setecentista.

Abstract:
In this paper we intend to briefly describe the physiological e esthetic characteristics of the vocal timbers, according to Manuel P. R. Garcia, in his “Traité complet sur l’art du chant”, written in 1847. Written during a privileged period of vocal history, Garcia reveals the vocal revolution caused by the voix sombrèe. We will note that his detailed descriptions of vocal timbers reveal significant differences between the vocal sonority of the XVIII and XIX centuries. He also indicates what is necessary in order to produce each one of the timbers. Hence, his treatise presents us with a valuable source of information, not only for the performers of Romantic vocal music, but also for those interested in the performance of music of the XVIII century.

Palavras chave:
CANTO – BARROCO – TÉCNICA VOCAL – MANUEL GARCIA – TIMBRES VOCAIS - FISIOLOGIA

Os tratadistas de canto do começo do século XVIII não entram em detalhes fisiológicos da produção vocal. Tosi , por exemplo, não diz praticamente nada que seja específico da fisiologia vocal propriamente dita. No final do século Mancini , por sua vez, fala sobre elementos básicos de fisiologia vocal, identificando os órgãos responsáveis pela fonação. São considerações um tanto primárias, mas que já revelam que os cantores da segunda metade do século XVIII aumentavam cada vez mais seu interesse pela fisiologia. Isso também pode ser observado nos comentários que Agrícola (1995) faz na sua tradução do tratado de Tosi, tentando explicar alguns fenômenos vocais citados no texto original . Apesar destes autores citarem o timbre da voz como um dos elementos estéticos do canto, não chegam a descrever de que maneira as manipulações do timbre vocal podem ser usadas como recurso expressivo.
O desenvolvimento científico do século XVIII cria a base para a futura pedagogia vocal, baseada em estudos fisiológicos da voz, que são muito importantes na escola de Garcia . Este, sim, fala extensivamente sobre o aparelho vocal propriamente dito, fazendo uma descrição abrangente de suas partes. O mais relevante é que Garcia também trata dos mecanismos vocais que seriam, segundo ele, responsáveis pelos vários tipos de sonoridade da voz humana. Esses mecanismos explicariam ou definiriam fenômenos como os registros, os timbres e a intensidade da voz, as diferenças entre os tipos vocais e as várias maneiras de articulação do som. Vejamos especificamente o que ele diz a respeito dos timbres.
Garcia (1985, 1ª parte, p. 8) define timbre como “as características próprias e infinitamente variáveis que podem tomar cada registro [vocal] e cada som, sem considerar a intensidade”. Segundo ele, a variedade dos timbres é produto dos diferentes sistemas de vibração da laringe e das modificações que a faringe imprime a esses sons anteriormente produzidos na laringe. Diz ainda que as condições que definem o timbre podem ser de dois tipos: fixas e pessoais de cada indivíduo, ou seja, dependentes da forma, do volume, da consistência, do estado de saúde do aparelho vocal de cada um; ou podem ser móveis, dependendo de vários fatores: da direção que o som toma dentro do tubo vocal durante a fonação (se ele passa pelo nariz ou pela boca), da conformação e da capacidade deste tubo, do grau de tensão de suas paredes, da ação dos músculos constritores e a do véu palatino, da separação do maxilar e dos dentes e da conformação dos lábios e da língua. A partir dessas considerações, trata apenas das condições móveis do indivíduo, e conclui que “As modificações são todas produzidas por dois meios opostos, que podem, numa última análise, ser reduzidos a dois princípios: o timbre claro e o timbre escuro" (GARCIA, 1985, 1ª parte, p.9).
Garcia descreve os efeitos desses timbres nos registros vocais.
• No registro de peito:

O timbre claro comunica ao registro de peito muito metal e brilho. [...] Este timbre, levado ao exagero, torna a voz gritada e esganiçada. [...]
O timbre escuro, ao contrário, dá a esse registro o mordente e a redondeza do som. É somente com a ajuda desse timbre que o cantor pode comunicar à sua voz todo o volume ao qual ela é susceptível (notem que eu falo de volume , e não da força e do metal). Este timbre, levado ao exagero, encobre os sons, sufoca-os, torna-os surdos e roucos (GARCIA, 1985, p. 9).

• No registro de falsete:

Neste registro, o efeito dos timbres, ainda que verdadeiro, é, todavia, menos marcante que no registro precedente (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 9).

• No registro de cabeça:

O timbre escuro o modifica de maneira mais marcante [...]
O timbre escuro tem sobre algumas vozes de cabeça um efeito dos mais marcantes; ele torna esse registro puro e límpido como os sons de uma harmônica (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 9).

Garcia também identifica os mecanismos fisiológicos que, segundo ele, seriam responsáveis por cada tipo de timbre:

Observemos que a modificação mais sutil no timbre traz necessariamente uma mudança na posição da laringe. Alguém pode se convencer disto experimentando passar sobre todos os sons alternadamente, desde o timbre mais aberto até o mais o mais escuro, e verá a laringe tomar posições progressivamente mais altas ou mais baixas, em razão da clareza ou da escuridão do timbre.
Observemos ainda que, nestes dois timbres que nos ocupam, os diferentes graus de intensidade adicionados aos sons não trazem nenhuma modificação sensível nos movimentos dos órgãos da faringe. O efeito contrário se manifesta desde que o cantor experimente alterar, pouco que seja, a nuance do timbre: no mesmo instante o véu palatino se abaixa para o timbre claro, ao passo que o timbre escuro produz a elevação do véu palatino e a ampliação da faringe. Esta ampliação se torna sensível, sobretudo quando o cantor dá a sua voz todo o volume que ela pode comportar, se bem que, por outro lado, os sons saiam desta forma muito fracos; o que merece ser constatado. Este ato de exagerar do volume só pode ter lugar nas condições do timbre escuro e com esforços violentos (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 10).

Garcia também descreve, de maneira didática, como se podem empregar os diversos movimentos da laringe e da faringe, de forma a se obterem os diversos timbres:

• No timbre claro:

Quando se desejar produzir o timbre claro, é preciso primeiramente que a laringe suba proporcionalmente à elevação dos sons e também que o véu palatino seja abaixado e, enfim, que o istmo da garganta se diminua. Assim, ainda que a abertura posterior das fossas nasais se apresente livre , a coluna sonora, devido à direção inclinada que ele recebe da laringe, encontra-se encaminhada em direção à parte óssea e anterior do palato, e a voz, sem tocar as fossas nasais, sai brilhante e pura. É necessário, neste momento, deixar a boca numa forma um pouco horizontal.
As vogais a, e, o, abertas à italiana, são modificações do timbre claro que traz esta conformação do órgão [vocal]. O timbre claro é facilitado pela inclinação da cabeça para traz, inclinação que deixa a coluna de ar se direcionar para a saída mais diretamente (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 13).

• No timbre escuro:

O timbre se torna escuro se o cantor fixa a laringe numa posição baixa e levanta horizontalmente o véu do palato. Neste caso, a faringe representa uma abóbada alongada e a coluna de ar que se eleva verticalmente bate contra a arcada palatina sem entrar na abertura basilar, que permanece fechada. O som torna-se mordente, pleno e coberto. É o que se chama de voz mista, escura. [...] A vogal u dá essa disposição ao órgão. Notem que para produzir os timbres escuros, abaixa-se a base da língua (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 13).

Podemos fazer algumas especulações, baseados na relação que Garcia estabelece entre as vogais e o timbre. Tanto Mancini quanto Tosi enfatizam que, nas divisões (ou passagens de agilidade vocal) devem ser usadas as vogais abertas a, e, o apenas. Logo, podemos dizer que o timbre claro seria o mais recomendado na execução das divisões. Além disso, como esses dois autores recomendam a vocalização principalmente nas mesmas vogais abertas e podemos dizer ainda que o timbre claro fosse o mais utilizado na escola dos castrati. Na verdade, tudo isso está em acordo com o fato de que a grande contribuição dos cantores do começo do romantismo para a técnica vocal foi justamente o desenvolvimento do timbre escuro descrito por Garcia. Antes da revolução técnica trazida pela voz escura o timbre vocal predominante parece ter sido o claro, que acabou perdendo espaço para o novo timbre, mais em concordância com orquestração do romantismo.
Ao tratar dos timbres vocais Garcia também faz considerações sobre o caráter brilhante ou surdo da voz. Segundo ele, além do timbre claro ou escuro que se pode dar à voz, também se pode atribuir a quase todos os sons dos dois registros vocais um caráter brilhante e metálico, ou, pelo contrário, torná-los completamente surdos:

No primeiro caso, experimenta-se um fechamento vigoroso da glote e o ar escapa com uma certa lentidão; no segundo caso, um grande relaxamento é sentido na mesma abertura e, apesar da debilidade do resultado que acompanha esse relaxamento, o ar escapa com uma rapidez quatro ou cinco vezes superior. Estes efeitos demonstram claramente que a produção dos sons brilhantes resulta de uma abertura da glote menor do que na emissão de notas surdas. Acrescentamos que, quando pinçamos fortemente a glote, podemos determinar um certo estreitamento, uma espécie de condensação dos tecidos da faringe, disposições as mais favoráveis ao vigor e ao brilho da voz. Ao contrário, o afastamento dos músculos aritenóideos determina naqueles tecidos uma flacidez que retira das ondas sonoras, absorvendo ou refletindo mal, a maior parte de seu brilho (GARCIA, 1985, 1ª parte, p. 13).

Ou seja, Garcia relaciona o brilho da voz com o grau de fechamento das pregas vocais. Na verdade, o relaxamento excessivo das pregas vocais pode provocar uma fenda por onde o ar pode escapar sem ser sonorizado, como Garcia descreve acima.
Prosseguindo, Garcia diz que o timbre claro e o escuro devem ser considerados como os dois principais, mas que, além deles, existem muitos outros que emprestam do timbre claro ou do escuro o que há de essencial no seu mecanismo. Na verdade, afirma que a voz pode tomar características as mais variadas: seja para produzir as vogais e suas modificações, seja para produzir os sons sob o efeito das paixões.

Conclusões:

No século XIX, os cantores exploravam novas sonoridades tentando se adequar às exigências da orquestração romântica, que foi se tornando mais densa. Aos poucos, estabeleceu-se uma nova sonoridade vocal, mais escura: os chamados sons sombrés , diferentes dos sons claires da escola de canto do século anterior. Nesse novo tipo de sonoridade baseia-se a técnica vocal que possibilitou ao tenor Gilbert Duprez cantar pela primeira vez um "Dó de peito".
Em meio a essas discussões, Garcia não poderia deixar de tratar extensivamente dos timbres vocais. Ao fazer isso, entretanto, não toma partido de um tipo específico de timbre, explicando e aconselhando o uso de ambos. Acaba, desta forma, deixando tecnicamente clara a diferença entre o som desenvolvido pela escola dos castrati – ou seja, o som de Tosi e Mancini – e aquele usado pelos cantores do romantismo e pela maioria dos cantores de ópera de nossos dias. Desta forma, a descrição feita por Garcia do timbre claro serve para entendermos melhor o que deveria ter sido o timbre claro usado por Tosi e Mancini: timbre que não chega a ser descrito de maneira tão detalhada fisiologicamente por nenhum dos dois. Esse fato só contribui para a importância do tratado de Garcia, mesmo para aqueles que pretendem pesquisar o canto do século XVIII.


Referências Bibliográficas:
AGRICOLA, J. F. Introduction to the art of singing by Johann Friedrich Agricola. Tradução de Julianne C. Baird (o original de 1757 já é uma tradução alemã do Opinioni de Cantori antichi e moderni de Tosi, 1723). New York: Cambridge University Press, 1995. Título original: Anleitung zur Singkust: aus dem italiänischen des Herrn Peter Franz Tosi.
GARCIA, M. A Complete treatise on the art of singing. Parte II. Edições de 1847 e 1872 reunidas e traduzidas por Donald V. Pasche. New York: Da Capo Press, 1972.
______________ Traité complet sur l’art du chant. Parte I, 1841; Parte II, 1847. Paris: Minkoff: 1985.
_______________ Trattato completo dell’arte del canto. Parte I. Milão, Ricordi & C. Editori, 1990.
MANCINI, G. Pratical reflections on the figurative art of singing. Tradução de Pietro Buzzi. Boston: Gorham Press, 1912 (original de 1777).
___________. Pensieri e riflessioni pratiche sopra il canto figurato. Viena: Ghelen, 1774.
PACHECO, A. Mudanças na prática vocal da escola italina de canto: uma análise comparativa dos tratados de canto de Píer Tosi, Giambattista Mancini e Manuel P. R. Garcia. Diss. Mestrado. Campinas, UNICAMP, 2004.
TOSI, P. F. Observations on the florid song; or sentiments on the ancient and modern singers. Tradução de Galliard. Londres: J. Wilcox, 1743 (original de 1723).
_________. Opinione de’ cantori antichi e moderni,, o sieno osservazione sopra il canto figurato. Bologna: 1723.

DadosBiográficos:

Alberto Pacheco

Tenor Ligeiro, natural de Minas Gerais. Em 1994, estréia como tenor solista na missa Crioula de Ariel Ramirez. Em 1997, ingressa no curso de Música da Unicamp, na modalidade voz. Na Unicamp, tem tido aula com os professores: Adriana Giarola Kayama, Niza de Castro Tank (canto), Helena Jank, Edmundo Hora (música barroca), Sara Lopes (voz falada), Eduardo Ostergreen (regência), Fúlvia Escobar (piano), Vânia Pajares, (ópera studio). Atualmente tem recebido orientação vocal com os professores Edílson Costa e Jocelyne Galo, em São Paulo.

Em 2000, canta numa montagem da Traviata de Verdi sob a regência de Carlos Fiorini, no papel de Gastone. Foi selecionado para o papel de D. Otavio, numa montagem da ópera Don Giovani de Mozart, a ser realizada pela orquestra da UNICAMP. Atualmente, é solista do grupo paulistano “Amanti dei Sospiri”, especializado em música barroca

Entre 1999 e 2001, é contemplado com uma bolsa de Iniciação Científica pela Fapesp, a fim de desenvolver trabalhos de pesquisa sobre interpretação de Música vocal barroca. Em meados de 2001, começa seu mestrado em música na UNICAMP, seguindo seus estudos sobre música vocal do século XVIII. No mestrado continua contando com o apoio da FAPESP. Finaliza seu mestrado no início de 2004.

Recentemente foi aprovado em primeiro lugar no processo de seleção para o Doutorado em Música na UNICAMP. Neste doutorado, iniciado em 2004, desenvolve pesquisa sobre a prática vocal brasileira do início do século XIX, contando mais uma vez com o apoio financeiro da FAPESP.
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Adriana Giarola Kayama
Professora de canto, dicção, fisiologia da voz e música de câmera nos cursos de Graduação e de pós-graduação em Música do Instituto de Artes da UNICAMP; cantora lírica; Doutora em Música (Voice Performance) pela University of Washington, EUA.















A técnica vocal na interpretação da música renascentista e barroca
Caros amigos, este é um assunto por demais polêmico. Cada professor de canto tem uma opinião diferente e, às vezes, quando as opiniões são iguais ou parecidas, a realização não é uniforme. Este trabalho apresentado por Glaucia Pina de Carvalho, Cláudia Felisberto e Guilherme Mannis deverá ser de uma utilidade absoluta para todos aqueles que se interessam pelo canto.

Interessante, note-se, a observação ao final do trabalho, afirmando que, contrariamente ao que se pensa, os antigos eram bastante minuciosos em seus tratados, ao menos sobre este assunto.

Leiam e se deliciem... Confirmem as minúcias a que chegavam os tratados da época... Levem para si aquilo que julgarem importante...
Universidade Estadual Paulista
Instituto de Artes
A técnica vocal na interpretação da música renascentista e barroca
Cláudia Felisberto
Gláucia Pina de Carvalho
Guilherme Daniel B. Mannis
SÃO PAULO, NOVEMBRO DE 2001

A Técnica Vocal na Interpretação da Música Renascentista e Barroca

Índice

Introdução..................................................................................................... 3
1. Técnica Vocal e Sonoridade na Música Renascentista....................... 4
2. A Técnica Vocal nos Séculos XVII e XVIII
2.1. Escritos sobre Técnica Vocal.......................................................... 8
a) A Arte do Canto nos Séculos XVII e XVIII............................. 8
b) Registros Vocais.......................................................................... 12
c) Agilidade Vocal........................................................................... 14
d) Afinação e Vibrato...................................................................... 17
2.2. Diferenciação entre Estilo Francês e Estilo Italiano..................... 19
a) Língua.......................................................................................... 19
b) Respiração................................................................................... 20
c) Vibrato......................................................................................... 22
d) As Consoantes.............................................................................. 23
e) Articulação de Garganta............................................................. 25
f) Considerações Gerais................................................................... 26
Conclusões................................................................................................. 26
Bibliografia
1. Consultada........................................................................................... 27
2. Levantada............................................................................................ 27
Site Consultado.......................................................................................... 27

Introdução
Com este trabalho, procuraremos abordar o conhecimento existente sobre a técnica vocal utilizada nos períodos da renascença e do barroco. Cada vez mais encontramos discussões em nosso curso e no meio musical sobre a adequação de uma interpretação ao conhecimento histórico que temos sobre o período relativo à obra que foi executada. Na Europa e Estados Unidos proliferam grupos que buscam uma interpretação histórica; passou-se a estudar a construção dos instrumentos e, no nosso caso, o uso das possibilidades vocais para se conseguir este ou aquele efeito.
Nosso interesse é nos inteirarmos um pouco mais sobre esta discussão e da produção resultante sobre o assunto, que aborda muitos aspectos relativos à música dos períodos citados. Neste trabalho procuraremos nos ater ao conhecimento específico sobre a técnica vocal empregada no renascimento e no barroco.
Os autores consultados colocam uma série de questionamentos sobre a relevância e mesmo sobre a possibilidade de se resgatar com extrema precisão uma prática vocal e a expressividade de uma música que já virou “história”, ou seja, que já não guarda uma relação clara com as estéticas em voga e a prática musical atual. Para G. Newton, a busca do conhecimento sobre a expressividade de peças de períodos anteriores passa por um estudo que vai além do conhecimento da partitura e que sempre vai ser resultado de uma interpretação e uma reflexão sobre os aspectos abordados. “(...) Realmente recriar o trabalho de um artista é apreender o conteúdo que o autor de fato expressou nesse trabalho, isto é, interpretá-lo corretamente como um veículo de comunicação. Tal apreensão consiste não apenas em uma compreensão geral do meio empregado, mas familiaridade com a linguagem e idioma do artista, e estes, por sua vez, são determinados por sua escola, período, cultura e personalidade. Também implica em um conhecimento do período do artista e do seu ambiente intelectual e espiritual”(p.2).
Portanto, deve-se ressaltar que a técnica vocal em si é apenas um dos quesitos a ser estudado e as conclusões ou suposições a que chegarmos sobre a mesma não serão determinantes da interpretação final, mas sim uma das importantes variantes.
Dividiremos nossa exposição como segue:
1. Características da sonoridade e técnica vocal no período renascentista.
2. Escritos comentados sobre técnica vocal do período barroco, baseados em coletânea realizada pela cantora Sally Sanford em sua tese de doutorado Seventheen and Eightheen Century Vocal Style and Technique.
3. Diferenças entre estilo de canto francês e italiano.
4. Conclusão

1. Técnica Vocal e Sonoridade na Música Renascentista
Partindo de um conhecimento sobre as técnicas utilizadas em nosso tempo e do nosso conhecimento atual sobre o aparelho fonador e respiratório, os pesquisadores utilizam-se de diversas fontes para uma reconstrução do que seria a técnica vocal utilizada em períodos anteriores ao nosso, como fontes iconográficas, descrições literárias, tratados gerais sobre música e estética musical, críticas musicais e etc...
G. Newton ressalta que, ao se debruçar sobre estes documentos, como não existe um registro sonoro das interpretações, o pesquisador terá um trabalho de interpretação, reflexão e reconstrução dessa sonoridade e a referência de partida para essa interpretação será um conhecimento fisiológico da produção sonora e da estética atual.
As descrições iconográficas e os comentários escritos por cronistas, enfim, as evidências encontradas nas fontes nos mostram que as peças eram executadas por pequenos grupos se comparados aos coros sinfônicos de períodos posteriores, ou por trios, quartetos e quintetos de solistas conforme a composição.
Os grupos eram formados na maioria dos casos exclusivamente por vozes masculinas, sendo as linhas agudas executadas por meninos. Acreditamos que, quando as linhas agudas eram executadas por mulher, estas buscavam também o timbre claro e a voz “branca” que os meninos produziam.
Além da formação pequena dos músicos, “(...) “cantus suavis” era a frase desse período.(...)” (G. Newton p. 11). Sendo assim, acredita-se que a faixa de dinâmica da interpretação era bem reduzida, ou seja, não existiam contrastes extremos entre o forte e o piano. G. Newton diz que a técnica utilizada para conseguir este canto suave não permitia que o cantor aumentasse o seu intervalo dinâmico, pois o mesmo começava a perder a qualidade vocal. Essa técnica consistia no uso de um fluxo de ar pouco intenso e no bom controle da passagem da voz de peito para o falsete, passagem esta que deveria ser contínua e homogênea.
Sabemos que o idioma instrumental se desenvolve nos primórdios do período barroco e que até aí os instrumentos estavam muito ligados ao idioma vocal. A escrita para instrumentos era praticamente a mesma da escrita para vozes e os instrumentos eram pensados para imitar a voz humana. Assim, o conhecimento que temos sobre as práticas instrumentais também se tornam fontes para a construção do conhecimento das práticas vocais. “(...) Eles (os instrumentos) floresciam e algum tempo depois caíam em desuso ou então eram alterados acompanhando uma nova estética. Principalmente no começo (da renascença), um dos objetivos declarados pelos construtores era o de imitar a voz humana.(...)” (G. Newton p. 9).
Sabe-se que a voz era considerada o instrumento perfeito e que os demais deviam imitá-la. G. Newton cita Fontegara de Sylvestro Ganassi: “Que fique claro que todos os instrumentos musicais comparados à voz humana são inferiores a ela. Por isso deveríamos nos esforçar por imitá-la (...) exatamente como um pintor talentoso consegue produzir todas as criações da natureza usando apenas cores, é possível imitar a expressão da voz humana com instrumentos de sopro e de corda (...). Já ouvi dizer que é possível com alguns instrumentistas perceber-se palavras em sua música.” (G. Newton p. 11). Hoje podemos fazer o caminho inverso e usarmos os instrumentos de época como modelo para o som a ser produzido pelo cantor. A sonoridade dos instrumentos de época nos leva ao som anasalado e “ardido” dos instrumentos de sopro com palheta e dos instrumentos de corda friccionada. Devemos também atentar para os tipos de articulações que são próprias desses instrumentos e imaginar como soam quando transferidos para voz cantada.
Quanto aos tipos de instrumentos mais relevantes é melhor citar o texto de G.Newton “(...) Munrow cita o Al Farab, livro de estudo do século X de Bagdá: Os instrumentos que mais se aproximam da voz humana são o rabab (rabeca) e os instrumentos de sopro(...)”. Ele também cita Tinctoris (1487), que escolhe a rabeca e o fiddle como ”aqueles que induzem piedade e conduzem meu coração mais ardentemente para a contemplação das alegrias celestes.(...)”.
Todas as evidências indicam que a rabeca tinha um som nasal e fino, bastante penetrante quando tocado em uma acústica reverberante. Era um instrumento de corda tocado com arco e ainda pode ser encontrado em orquestras javanesas. Mas a indicação mais clara da preferência pelo nasal e pelo timbre de palheta está no desenvolvimento neste período de doze tipos diferentes de instrumentos de palheta dupla, todos em vários tamanhos ou famílias. Alguns eram fortes, outros suaves e pelo menos metade não tinha nenhuma variação dinâmica porque os lábios não tocavam as palhetas. Todos eram mais ou menos nasais. Praetorius descreve a rackett como bastante suave, como se alguém estivesse soprando através de um pente (comb). (G. Newton p. 11).
Por essa descrição, vemos que, apesar da constatação de que o som era nasal, temos uma variedade na “escala” dessa nasalidade, quer dizer, se os instrumentos podiam ser mais ou menos anasalados então é provável que tenhamos a liberdade de escolher um timbre mais ou menos anasalado.
Outra fonte em que encontramos a referência ao anasalamento do som é a expressão facial e corporal de pinturas que representam cantores, dando uma idéia sobre o esforço utilizado, sobre o tipo de som que aquele cantor estaria produzindo. Exemplo de fontes iconográficas utilizadas: altar da Catedral de Ghent pintado por Van Eyk (1420), “Virgem e Criança no Trono” de Cosima Tura e a “Natividade” de Piero della Francesca. “(...) É difícil passar despercebido o contraste entre a expressão serena dos instrumentistas e os rostos retesados dos cantores. Qualquer pessoa poderia imaginar o som produzido por tais cantores; os rostos se retorcem como se sofressem dor; os músculos ao redor do nariz estão esticados; os músculos da garganta estão tensos; e a boca mal está aberta. O som só pode ser estridente e anasalado, virtualmente sem vibrato.” (G. Newton p. 10).
Trechos de obras literárias também citam textualmente o gosto pelo som anasalado; ex. “(...) No prólogo de “Canterbury Tales” de Geoffry Chaucer (1328-1400), um dos viajantes é uma madre superiora. Dentre seus muitos e encantadores talentos temos: tão bem ela cantou o serviço. Docemente anasalado(...)”. (G.Newton p. 9).
Volume, tipo de vozes e número das mesmas utilizadas na formação dos grupos vocais, cantus suavis e o timbre são as principais características que encontramos, na bibliografia que pudemos consultar, sobre a maneira de se cantar na renascença.

2. A Técnica Vocal nos Séculos XVII e XVIII
2.1 Escritos sobre Técnica Vocal
Os escritos que apresentaremos neste tópico são retirados da tese de Sanford, que recolheu escritos sobre técnica vocal em diversos tratados dos séculos XVII, XVIII e início do XIX, tratados que são tanto específicos da arte do canto bem como de toda a prática musical. Deve-se notar que os tratados chegam a ser muito precisos em suas observações, diferentemente da idéia de que tratados antigos são vagos e muitas vezes trazem informações de caráter mais alegórico do que prático.
a) A Arte do Canto nos Séculos XVII e XVIII
Neste tópico abordaremos informações mais gerais sobre a arte do canto na visão de vários tratadistas europeus.
Jean Baptiste Bérard, em L’Art du Chant (Paris, 1755), sobre a habilidade musical que o cantor deve possuir: ”Pode-se estar errado em definir um bom cantor como sendo meramente um bom organizador de sua língua, garganta, boca e ouvidos. Ele tem de estar apto a pensar e ouvir”.

Ainda Bérard, sobre os deveres de um cantor:
• Exatidão de afinação;
• capacidade de ligação entre dois sons (legato);
• fazer uso de sons expressivos;
• executar bem os ornamentos;
• inclinar sua ação ao canto (algo ligado à interpretação cênica).
Bérard, em alguns de seus escritos, ainda compara as nuances de um quadro e um pintor com as nuances do canto, e defende uma interpretação "afetada" por assim dizer.
Outro importante tratadista francês foi Marin Mersenne. Em seu Harmonie Universelle (Paris, 1636) Mersenne fala sobre as qualidades que uma voz deve possuir:
• afinação;
• igualdade (provavelmente igualdade no registro);
• flexibilidade.
Qualidades desejadas:
• doçura;
• harmonia (a voz desejável é comparada a uma face e um corpo gordos e vistosos, enquanto a voz minguada é comparada a um corpo e face esquálidos).

Bégnigne de Bacilly, em Remarques curieuses sur l’art de bien chanter (Paris, 1689), sugere as seguintes características que o cantor deve possuir:
• entoação perfeita (altura);
• sustentação apropriada da voz;
• carregamento e suporte (apoio);
• execução apropriada de cadências e trêmulos;
• pulsação de garganta apropriada quando necessário (vibrato);
• interpretação apropriada de acentos;
• performance apropriada de passagens e diminuições (dinâmica);
• pronúncia e declamação afetiva dos textos ( ...pronunciando bem as palavras de forma apaixonada e, sobretudo, observando a maior ou menor duração das sílabas).
De forma geral, as qualidades do bom cantor segundo os franceses são: afinação, igualdade, clareza, flexibilidade, doçura (musicalidade), sonoridade ("harmonia"), corpo e grande tessitura.
Pierfrancesco Tosi, famoso castrato italiano do século XVIII, escreveu um tratado muito difundido e consultado por toda a Europa: Opinioni de Cantori Antiche e Moderni (Bologna, 1723). O tratado foi traduzido para o alemão e inglês pelo famoso tratadista Agricola, influenciando toda uma geração de cantores europeus. Tosi, que será muito citado nos tópicos seguintes, deixa inicialmente claro o conceito de que o cantor deve ter sobretudo grande conhecimento musical além de uma bela voz.
Johann Herbst, em seu Musica Pratica (Nurembergue, 1642), sobre as características da voz:
• amabilidade;
• vibrante e trêmula com moderação;
• garganta suave e redonda para diminuições;
• sustentação de uma respiração longa e contínua (apoio);
• suficiente para executar uma das vozes do coro sem entrar no falsete (que a seu ver é uma "meia-voz forçada").
Johann Adam Hiller, em seu Anweisung zum musikalisch-richtigen Gesang (Leipzig, 1774) pede ao cantor as seguintes qualidades:
• boa voz;
• afinação apropriada;
• senso de ritmo;
• ênfase apropriada e toda a elegância possível;
• variação do peso da voz
Christoph Bernhard em Vor der Singkunst oder Manier (1650) diz sempre o que não se deve fazer: ”Em suma, o cantor não deve cantar pelo nariz. Não pode sussurrar, pois não será compreendido. Não deve empurrar sons com a língua nem sibilar, de forma que vão entender metade do que fala. Não deve fechar os dentes, não deve abrir muito a boca, não deve colocar a língua para fora dos lábios, não deve levantar os lábios, não deve distorcer a boca, não deve desfigurar a face e o nariz como um cercopiteco , não deve franzir a testa, não deve virar muito a cabeça e os olhos nem ficar sempre com o mesmo olhar, não deve tremer os lábios...”

Deve-se ressaltar que muitas regras destas tratadistas são seguidas até hoje, as maneiras que possuem alguma diferença são as seguintes:
• maior ênfase em flexibilidade e afinação do que volume;
• o cantor deveria ser um bom improvisador de acordo com o estilo que executava;
• início do estudo do trilo logo no início do aprendizado.

b) Registros Vocais
Apesar de haver na época um número grande de cantores cujas vozes eram louvadas por sua beleza e extensão, os tratadistas consideram uma extensão de duas oitavas suficiente para a maioria dos cantores.
Havia uma clara noção de voz de peito e voz de cabeça, como evidencia James Nares, em seu A Treatise on Singing (Londres, 1780): ”Gostaria de observar que, depois do aluno ter ganho uma boa entoação e algum tratamento de sua voz, o mestre deve atentar para a tessitura de sua voz, mostrando-lhe onde sua “Voce di petto” termina e onde cultivar o falsete, ou “Voce di testa”, e instruí-lo como as vozes devem ser combinadas, tão imperceptivelmente quanto possível. Sem esta combinação a agradável variedade vocal será perdida.”
Na maioria dos tratadistas havia uma maior preocupação com qualidade vocal do que com extensão. Muitos ressaltam que o cantor não deve forçar sua voz, a fim de tentar alargar sua tessitura. Remy Carré em Le maistre des novices dans l’art de chanter (Paris, 1744): ”A primeira regra é a de não forçar a voz de maneira a cantar mais alto ou grave do que sua disposição natural permite.”
Giovanni Mancini, em Riflessioni partiche sul canto figurato (Milão, 1777), considera mais importante a igualdade sobre todo o registro do que simplesmente a extensão: ”Atualmente, professores desejam alargar a tessitura do aluno, e, por forçar a natureza, retiram da garganta humana um número bem maior de sons (...) Na minha opinião, no entanto, a qualidade vocal sempre dependerá da qualidade de igualdade sobre todo o registro e perfeita entoação .”
Havia diversos tipos de classificação vocal, dos mais básicos aos mais específicos. Entre os básicos havia quase um consenso, evidenciado em Hiller e Mengozi:
Discant Altus Tenor Bass
Alguns tratadistas evidenciavam uma certa preferência por vozes agudas a graves, tal como Bacilly: ”... um grande número de emoções ou paixões vão estar em vantagem nas vozes agudas ao invés das graves. A voz de baixo é adequada tão somente à emoção da raiva, que aparece raramente nas árias francesas.”
Havia mais castrati na Itália do que na França, país onde não eram muito admirados. Já na Itália estes dominavam a cena vocal. Há uma grande dúvida atualmente sobre como se dava o esquema voz de peito/voz de cabeça entre os castrati. Sobre voz de peito e voz de cabeça houve uma grande discussão por tratadistas de toda a Europa. Muita confusão se fazia e nota-se que não havia unanimidade no assunto. No entanto, a voz de peito era preferida à voz de cabeça por muitos tratadistas, mesmo os mais antigos tais como Zacconi, cujo tratado Prattica di musica utile e necessaria de 1596 (Veneza) evidencia: ”Entre a voz de peito e de cabeça, vozes de peito são melhores como regra geral. ”
Domenico Cerone, Il Melepeo (Nápoles, 1613): ”A voz de peito é a mais própria e natural, não tão porque é formada pelo peito, mas sim porque é afinada.”
Ciulio Caccini, Le Nuove Musiche (Florença, 1601): ”Da voz de falsete a nobreza do bom canto nunca poderá vir.”
Caccini prefere a adequação da tonalidade à voz da pessoa ao falsete. Como hoje, os tratadistas salientavam que o uso do falsete estendia a tessitura e facilitava a execução de passagens rápidas e trilos, porém não possuía potência vocal.
Mengozzi, em seu método de canto de 1803 mostra-nos uma certa evolução do conceito voz de peito/cabeça. Ele fala sobre certas misturas entre os dois registros, inclusive propondo certos exercícios para que o cantor tenha consciência de qual registro usar dependendo de sua necessidade. Nota-se claramente um conceito de "degrau" vocal, pois as escolhas que Mengozzi propõe entre voz de peito, voz de cabeça e voz intermediária para a execução de uma mesma nota evidencia isso. Sobre o registro de soprano, Mengozzi mostra o seguinte :

c) Agilidade Vocal e Articulação da Garganta
A agilidade vocal era considerada um dom, que poderia ser refinado através do treinamento mas não adquirido.
Bácilly, 1689: ”Eu disse (...) que a voz é um dom da natureza, e isso é muito comum; mas isso não tem nada a ver com a disposição , que a natureza nega à maioria das vozes e que significa uma certa facilidade na performance de tudo concernente à técnica vocal, pois está localizada na garganta. Mas esta disposição da garganta para a execução de todo tipo de ornamentos é a mais rara qualidade possível entre aqueles que cantam.”

Sobre estilos de execução, Tosi argumenta que o estilo articulado ou marcado era mais utilizado que o ligado, "que certamente imita uma escalada".
Sobre articulação marcada e divisões, Mancini (1777) escreve: ”Muitos pensam, ao cantar um grupo de três ou quatro notas, que apenas a primeira e a última necessitam soar, escorregando simplesmente entre as outras notas. Isso não pode ser chamado de agilidade, mas está mais para uma cantilena, e é certamente de mau gosto e contrário às regras da arte. Do outro lado, há aqueles que exageram e martelam cada nota com desigualdade de voz, igualando as passagens sem distinção, em conseqüência privando-as daquela graça do ataque e posterior retirada da voz. Conseqüentemente, o canto assemelhar-se-á ao canto desgostoso do galináceo.”

Ainda sobre grupos e ornamentação, Falck (1688): ”É um erro se o cantor não dirigir atenção diligente à aplicação do texto base, se ele separar as notas de uma coloratura ou uma passagem com uma respiração ou caminhar de uma nota a outra com um “h” igual ao de uma risada, tal como pronunciar Sa ha ha ha ha ha ha ha halve.”

Tosi, sobre o mesmo assunto: ”Há muitos defeitos nas Passaggi, que temos de conhecer, a fim de evitá-los. (...) Há ainda professores muito ridículos, que marcam todo um compasso e, forçando a voz, pensando em fazer uma passagem sobre "a" aparece como se fizessem ha, ha, ha, ou gha, gha, gha; e o mesmo sobre outras vogais.”

Fazer divisões com língua também é algo condenado. Bacilly (1689): ”Pode-se considerar uma regra máxima da música vocal que todas as passagens executadas com língua são completamente erradas.”

A execução das passagens era extremamente ligada à garganta. Johann Mattheson, Der volkommene Capellmeister, (1739), sobre fisiologia: ”No que diz respeito ao aparato da voz humana, o tubo de ar consiste de variadas cartilagens, que se ligam umas às outras como anéis e são amarradas por bandas membranosas e flexíveis. As cartilagens são de forma empilháveis, mais moles que osso e mais rijas que tendões. Duas delas, que são menores que as outras e estão situadas perto dos primeiros anéis do tubo de ar, com seu fechamento constituem a borda ou o topo deste tubo e possuem o nome “glottis”, ou seja, “lingüinha”. Esta fenda produz som por aberturas e movimentos. Pode-se comparar a forma da chamada “lingüinha” com a boca de uma pequena lata d’água, em uma escala menor: por conseqüência esta cartilagem unida é chamada “cartilaginem guttalem”, de “gluttus”. Sobre tudo isso ainda há uma maior lingüinha, que é mais macia. A forma da “epiglottis” é muito similar a uma cesta triangular, arcada e pequena, curva na direção da boca porém côncava no outro lado. É indubitável que esta epiglote contribui à delicada formação e delicadeza do som, especialmente em trilos e mordentes... ”

No entanto, o apoio nas passagens foi lembrado por Bayly (1771): ”A execução apropriada de “Passaggi” requer não só uma fácil e bem treinada garganta bem como um forte e firme peito.”

O ponto de partida para o desenvolvimento da agilidade vocal na articulação da garganta era o estudo do trilo. Mancini (1777): ”No entanto o trilo, que é um ornamento de nossa arte do canto, era ensinado pelos velhos mestres no começo de sua instrução vocal. Mesmo que o aluno não tivesse disposição natural para fazer isto, estes professores incentivavam-no a treinar em seus primeiros estudos. Não porque esperavam que executassem e dominassem este artifício antes que qualquer outro ornamento, mas somente a iniciá-los na prática da ação.”

O uso da articulação de garganta não significava que os músculos da garganta devessem estar contraídos, muito pelo contrário. A fim de que as pulsações da região da glote ocorressem natural e rapidamente, a laringe e a língua precisariam estar relaxadas. A articulação adequada da laringe depende de um bom mecanismo vocal coordenado de forma geral. Rameau, em seu Code de musique pratique (Paris, 1760) aponta que a glote perde sua flexibilidade, se a respiração ou o fluxo de ar são realizados com muita força.

d) Afinação e Vibrato
Nos séculos XVII e XVIII a perfeita afinação era um dos elementos primordiais do canto.
Caccini (1601): ”Na profissão do cantor (acima de tudo), detalhes particulares não são relevantes, o mais importante fundamento é a perfeita entoação em todas as notas, não só para evitar a queda ou a elevação na afinação mas sim por cantar de uma boa maneira.”
Mattheson (1739): ”... quando, sem se notar ou sem saber se cai um pouquinho fora da nota ou se afunda na afinação dos tons, isto significa uma desafinação.”

Mancini (1777): ”Não há nada mais sofrível e mais indesculpável que um cantor de entoação ruim. Uma voz de garganta ou nasal é preferível do que o canto desafinado.”

A falta de afinação era considerada incurável por muitos teóricos, que aconselhavam os desafinados aspirantes ao canto a seguirem outro ofício.
Já sobre afinação e temperamentos, temos importantes escritos que podem ser levados em conta numa execução moderna. Segundo Mancini, o cantor era capaz de fazer finas distinções de altura , em oposição aos instrumentos de temperamento fixo, tais como órgão e cravo. Esta limitação dos instrumentos apresentava sérias dificuldades ao cantor, que quando era acompanhado por tais instrumentos deveria se adaptar para mesclar a afinação pura do canto ao temperamento fixo dos instrumentos .
Mancini (1777): ”Desde que o cantor é naturalmente inclinado a intervalos precisos e exatos , este sempre se sente em dúvida em saber qual dos instrumentos de diferentes temperamentos deve seguir. Para ter certeza, o cantor deverá seguir a afinação do órgão ou do cravo, pois apesar de serem temperados e imperfeitos por si próprios e esta imperfeição ser decorrente de sua construção e de sua dificuldade em afinar com os outros instrumentos, estes instrumentos são a base e o modelo para todos os outros instrumentos bem como para a voz. Dependendo do órgão ou do cravo o cantor irá então utilizar a afinação deste instrumento, que sempre serviu como afinação básica...”

Sobre métodos de aprendizagem de solfejo e afinação, há diversos pontos de vista. Recomenda-se o uso de instrumentos no aprendizado com o intuito de resolver os problemas de afinação do cantor. Mancini, por exemplo, defende a utilização de instrumentos soando em mais alto volume a fim de que o aluno consiga ouvir e resolver todos seus problemas de afinação: ”Até que o aluno tenha completa certeza de sua afinação, não se deve permitir o canto sozinho.”

Hiller também observa que deve haver um cuidado especial na afinação do instrumento quando este acompanhar um cantor. Um cravo mal afinado, por exemplo, destruiria o fino trabalho de afinação desenvolvido pelo cantor. Havia, no entanto, certos tratadistas que preferiam apenas a voz do professor como guia para a afinação, tais como Bácilly, Bérard e Ferrari.
Devido à grande importância dirigida a afinação pelos tratadistas da época, presume-se que o vibrato era restrito a um ornamento vocal e utilizado com parcimônia, sobretudo em notas longas. Agricola (Berlim, 1757): ”O “vibrato” em duas notas repetidas, que é realizado num instrumento de arco através da ondulação superior e inferior do dedo, mantendo-se a nota dada e alterando-se um pouco esta nota ascendente e descendentemente de maneira a flutuar um pouco na nota, é também um ornamento, que no canto pode ser um bom efeito especialmente na sustentação de notas longas, sobretudo quando é empregado no final da nota.”

O símbolo mais comum para o vibrato era uma espécie de "cobrinha" colocada em cima da nota, parecido ao símbolo utilizado hoje para sustentação de trilo. É necessário ressaltar que a velocidade do vibrato também variava. Hottetere (Paris, 1715): ”Deve-se observar que é necessário utilizar-se de “vibrato” em quase todas as notas longas e, como trilos e mordentes, deve ser executado devagar ou rapidamente dependendo do movimento e caráter da peça.”

2.2 Diferenciação entre Estilo Francês e Estilo Italiano no séc. XVII
Embora a música vocal solo italiana e francesa no século XVII possa ter compartilhado um alvo estético comum - para mover as paixões - cantores franceses e italianos apontam meios técnicos e estilísticos completamente diferentes. Este texto examina algumas das áreas principais da técnica vocal que ajudam a definir as diferenças entre o canto francês e italiano neste período.

a) Língua
Além das diferenças óbvias, importantes no estilo da composição e da ornamentação e da falta de interesse do francês pela voz do castrato, as diferenças mais significativas entre canto francês e italiano do século XVII estão no fato de que o italiano é uma língua qualitativa enquanto o francês é quantitativo A música vocal italiana é trazida à vida principalmente com a expressividade dada às vogais, ao passo que na música francesa a expressão emocional descansa principalmente na “nuance” altamente variada das consoantes.

b) Respiração
Aqui nós tocamos numa área cinzenta relacionada à reconstrução das técnicas vocais históricas, porque os tratados de canto do século XVII nos dizem muito pouco sobre a natureza da liberação do ar durante a fonação, com exceção do fato de que isso não era feito com grande esforço. Jean-Philippe Rameau no século XVIII fornece algo razoável sobre a evolução de uma técnica da respiração aproximada à fala: ”... toda a nossa atenção, todo o nosso desejo, deve simplesmente se concentrar no mesmo tipo de respiração de quando nós falamos: no desejo de nos expressarmos, a voz é ouvida sem custar o menor esforço. Deve ser o mesmo para o canto: preocupar-se somente com o desejo de se fazer saber, todo o relaxamento deve ser semelhante à fala, não sendo necessário pensar muito na respiração.”

A respiração italiana pode ser descrita como a que variou a pressão de ar, a velocidade do ar e o volume de ar de acordo com a declamação dramático e emocional do texto, e a alguma extensão de acordo com o tamanho do espaço em que se estava cantando. Mesmo que a pressão de ar flutuasse, o sistema italiano da respiração durante o século XVII usava menos pressão (menos volume) do que aquela que nós associamos com o canto operístico moderno. A corrente de ar variável dá uma graduação dinâmica, um chiaroscuro, às vogais que corresponda à acentuação e declamação do texto. O próprio texto fornece um plano dinâmico e forma para a linha vocal que deve ser observada pelo cantor e ser refletida no acompanhamento.
Com a nova ênfase italiana do século XVII em recitativos e na primazia das palavras, não seria surpresa encontramos um estilo do ornamentação que caracterize ornamentos dinâmicos, como o messa di que voce e esclamazione. O texto é a chave do canto expressivo para Caccini, que diz que expressar a paixão do texto só é possível com o controle da respiração: "um homem deve ter um comando da respiração para dar o grande espírito ao crescendo e ao decrescendo da voz, para “esclamazione” e outras paixões" .
A respiração francesa pode ser descrita como um sistema estacionário, de constante pressão de ar, velocidade do ar, volume do ar - semelhante a algumas escolas francesas modernas na arte do canto - com uma diferença na quantidade de pressão do ar, que, semelhante ao italiano, está abaixo da escola moderna. No sistema de estado estacionário francês do século XVII, como o controle dinâmico das vogais não era um interesse preliminar; os contornos dinâmicos da linha vocal ocorreram dentro de uma escala menor. Em vez das vogais expressivas, o foco estava na inflexão expressiva das consoantes que eram “cantadas" nesta coluna de ar constante. As consoantes eram cantadas mais longas ou mais curtas e o vigor dado a elas era mais duro ou mais macio, de acordo com a paixão expressada. A técnica das consoantes francesa será discutida mais detalhadamente abaixo.

c) Vibrato
A razão principal do “vibrato” ser mais perceptível numa nota contínua no canto moderno está no fato de a pressão de ar usada ser maior. Quando há uma mudança na pressão de ar ou no tamanho da corrente do ar, a laringe responde diferente automaticamente. Usar uma pressão mais baixa (comparada ao canto operístico moderno) evita a necessidade de controlar o “vibrato” com a supressão mecânica na extensão vocal. O canto do século XVII - francês ou o italiano - não é conseguido fazendo exame de uma produção moderna e “endireitando" o som. Se você tentar suprimir o “vibrato” sem mudar a pressão de ar, você terá que usar algum tipo de restrição na extensão vocal. Tal restrição pode conduzir a tensão desnecessária e à fadiga. Usar uma instalação laríngea que seja irrestrita, com uma pressão da respiração que permita que o “vibrato” seja usado na descrição do cantor, é um denominador comum entre canto italiano e francês século XVII; o que difere é a corrente de ar em estado constante. O “vibrato” era adicionado pelo cantor quando desejado e não era natural para a voz..
Há duas maneiras diferentes de se produzir o “vibrato”: através da pressão da respiração e através da garganta. Ambos os tipos de mecanismo do “vibrato” foram usados durante o século século XVII. Os mecanismos diferentes produzem uma diferença no som para estes dois tipos de “vibrato”. Os franceses muito provavelmente usariam um “vibrato” de garganta, para não perturbar sua coluna de ar constante. Já os italianos usaram um “vibrato” de respiração, já que usavam uma corrente variável de ar, deixando o “vibrato” de garganta para efeitos mais especiais. Nenhuma fonte do século XVII dirige-se a este assunto, embora Johann Adam Hiller no final do século XVIII considere o “vibrato” de garganta como o mais difícil dos dois tipos. Isto sugere que a escola de canto Italo-Germânica do século XVIII tenha usado o de garganta menos freqüentemente do que o de respiração.

d) As consoantes
Assim como cada paixão era manifestada em um jogo de características particulares que significavam para o artista um trabalho tal como Caracteres des passions (1696), de Le Brun, cada paixão teve sua característica própria do discurso. Bacilly dá-nos na forma esqueletal uma discussão da consoante dupla ou prolongada. Sua discussão foi expandida mais tarde no século XVIII principalmente por Bèrard, Lecuyer e Raparlier. Bacilly confinou seus exemplos às letras “m”, “f”, “s”, “j” e “v”. Bérard esboçou mais tarde cinco tipos de articulação de consoantes: dura, macia, natural, escura e desobstruída, dependendo do caráter das palavras do canto. As regras de Lecuyer para consoantes podem ser sumariadas como segue.

• Dobre as consoantes iniciais de cada pergunta, por exemplo: Pourquoi? tu do veux?
• Dobre as consoantes iniciais de cada palavra de injúria, por exemplo: Perfide, cruel.
• Prepare a consoante inicial de cada substantivo ou adjetivo que dão uma qualidade agradável ou uma qualidade da distinção, por exemplo: beauté, grandeur, fraicheur, tendre, jeune, charmant.
• Prepare ou dobre cada negação e preposição, por exemplo: non, rien, si.
• Sempre que houver diversos monossílabos na sucessão, o último deverá ser dobrado, por exemplo: non, nnon .
• Não dobre duas consoantes sucessivas.
• Em uma palavra composta de diversas sílabas com consoantes duplas, dobre o primeiro grupo, por exemplo: Terrasser. Pronuncia-se mal ao dizer terasser; ao contrário deve-se dizer terraçer, como se houvesse apenas um “ç” lugar do “ss”.
Estes escritores descrevem uma técnica de preparar ou de prolongar consoantes e de variar sua articulação para fazer a música mais expressiva. Bérard chamou-a consoante dupla, e indicou-a escrevendo na segunda consoante, como o lugar onde deve ser aplicado. Esta técnica de consonantes não é discutida nas fontes italianas ou alemãs.
Algumas consoantes como “m”, “n”, “b”, “l”, “v”, “d”, e “z” são as mais fáceis de se prolongar, porque podem ser facilmente atacadas. De um ponto de vista prático, prolongar consoantes deixa a execução sincronizada com o tempo da músicas, carregando uma consoante sobre o tempo, por exemplo, é melhor do que ocorrer antes do tempo, como é o padrão do canto mais clássico, seguindo a tradição italiana.
Bérard dá o seguinte guia para a consoante dupla forte para o início da ária La Haine "Plus on connoit l’amour” de Armide, de Lully (ato III, cena IV): Plus on cconnoit ll’amour, & pllus on lle ddetestte: Detrruisons sson ppouvoir ffuneste. rRomppons ses nnoeuds, decchirons sson bbandeau, Brrulons sses trraits, etteignons son fflambeau. (nota 20)

e) Articulação da Garganta
O canto francês e italiano no século XVII diferem significativamente do canto moderno com respeito ao uso da articulação da garganta, uma técnica para cantar passagens e ornamentos rápidos. A articulação da garganta existe desde a Idade Média e alcançou o seu auge por volta de 1580 com os cantores de garganta, tais como as três damas de Ferrara, que eram excelentes nesta técnica de gorgia (notas rápidas no palato mole). Bacilly chamou esta técnica, ou a instalação laríngea para usar esta técnica, a disposition de la gorge. Os italianos chamaram-na dispositione. A articulação da garganta é uma técnica essencial para o cantor de música do século XVII, particularmente porque torna a música mais fácil de se cantar (ou seja, só para quem tem disposição).

f) Considerações gerais
Usar uma interpretação histórica para cantar a música francesa e italiana do século XVII requer uma fluência não somente em estilos musicais diferentes, mas em técnicas vocais diferentes. Envolve reações diferentes à notação musical também. As diferenças entre canto francês e italiano que nós discutimos são baseadas primeiramente nas diferenças da língua. As implicações destas diferenças não são importantes somente para os cantores interessados no repertório do século XVII, mas também para os instrumentistas interessados em trabalhar com uma interpretação histórica, já que o canto era o modelo para a música instrumental neste período.

Conclusões
Um estudo deste porte pode fornecer maiores subsídios ao cantor e ao regente de modo a este montar sua "verdade interpretativa". Na música, não deve haver o "certo" nem o "errado", mas sim a "minha expressão", a coerência da interpretação.
Muito do que os antigos falam é utilizado atualmente em larga escala, bem como conceitos que na época estavam obscuros e em desenvolvimento são completamente claros hoje. Não vemos porque não utilizar conceitos atuais para a execução hoje em dia, o purismo excessivo pode significar um grande empecilho para a realização de uma obra.
A linguagem musical é abstrata de forma que, falar sobre musicalidade é algo abstrato. No entanto, musicalidade é algo que vem da prática musical, que só consegue ser ensinado através da música. E a nosso ver, é o ponto que possui maior relevância numa boa interpretação.

Bibliografia

1. Consultada

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NEWTON, G. Sonority in Singing – an Historical Essay, Nova York, ed. Vantage, 1984.
SANFORD, Sally. Sevententh and Eighteenth Century Vocal Style and Technique, Stanford University, 1979.

2. Levantada

CARUSO, Enrico, e TETRAZZINI. The Art of Singing. Nova York, Dover, 1975.
BROWN, William Earl. Vocal Wisdom. Nova York, Arno Press, 1970.
BURNEY, Charles. Music, Men and Manners in France and Italy 1770. Londres, Eulenburg, 1974.
Site Consultado
http://rism.harvard.edu/jscm/v1/no1/sanford/html
2.2 “Journal of Sevententh-Century Music”